A lista de mais vendidos que mede presença, não volume
Por que o Publitik passou a consolidar as listas brasileiras de mais vendidos em uma só, o que esse número mede de fato, e o que existe atrás dele no painel.
O pedido chegou de uma assinante e era simples: ela queria baixar as listas de mais vendidos em planilha, para trabalhar com elas fora do painel. Ao olhar o que ela faria com esse arquivo, apareceu um trabalho que boa parte do mercado brasileiro repete toda semana em silêncio. Abrir listas diferentes, comparar posições que não se comparam, e formar de cabeça uma opinião sobre o que está de fato circulando.
Foi daí que saiu a Lista Publitik.
Listas boas, perguntas diferentes
O Brasil tem listas de mais vendidos boas e antigas. O problema nunca foi qualidade. É que cada uma responde a uma pergunta ligeiramente diferente, e ninguém publica a resposta conjunta.
As categorias não coincidem. O que uma lista chama de não ficção trade, outra chama simplesmente de não ficção, e uma terceira separa autoajuda e negócios em recortes próprios. As cadências também não coincidem: uma renova na quinta-feira, as outras no domingo. Um título pode estar subindo em uma e caindo em outra na mesma semana, e nenhuma das duas está errada, porque elas não estão medindo a mesma coisa.
Quem acompanha o mercado resolve isso na cabeça, toda segunda-feira. A Lista Publitik existe para resolver na conta.
O que ela mede, e o que ela não mede
A Lista Publitik não estima vendas. Não temos dado de sell-out do varejo brasileiro, e publicar um número que finge ter seria a maneira mais rápida de queimar a confiança de quem lê.
O que ela mede é presença: em quantas listas um título aparece ao mesmo tempo, e quão bem posicionado ele está em cada uma.
A conta é aberta. Para cada obra guardamos a melhor posição em cada fonte, para que uma fonte com várias categorias não conte o mesmo livro cinco vezes. Cada aparição vale pontos que decrescem conforme a posição, e a soma ordena a lista. Um livro que lidera uma categoria de nicho e não aparece em mais nenhuma fica atrás de um livro bem colocado em três listas ao mesmo tempo.
Isso é uma escolha, e é a escolha que define o que a lista enxerga. Ela responde qual título o mercado brasileiro está sustentando em várias frentes ao mesmo tempo, que é uma pergunta diferente de qual título vendeu mais exemplares.

No painel, cada linha mostra de onde veio a posição. As etiquetas ao lado do título são as listas em que ele aparece naquela semana, com a colocação em cada uma, e o rodapé diz qual fonte está atualizada e qual está parada. É a conta inteira exposta, em vez de um número final para o leitor aceitar.
O que aparece quando as listas se somam
Na semana de 4 a 10 de agosto, as listas atualizadas somaram 132 obras distintas. Os dez primeiros colocados são a parte visível, mas a leitura por editora e por gênero é feita sobre todas as 132. É a diferença entre um retrato do mercado e uma anedota sobre dez livros.
A ficção adulta respondeu por 30,6% da presença na semana, seguida por infantil e juvenil, com 21,2%, e por saúde e autoajuda, com 18,8%. Gênero sai do Thema, o padrão que o mercado brasileiro adota via MVB, e não de uma classificação criada por nós para a ocasião.
Outro Planeta fechou a semana com 11 títulos presentes nas listas, seguida por Intrínseca, com 10. Esse número passa por uma normalização que junta selos e variantes de grafia da mesma casa, e que deliberadamente não junta grupo econômico. Paralela e Objetiva seguem separadas da Companhia das Letras, porque juntá-las mudaria o que o ranking afirma.
Quando a lista não sai
Uma lista parada há mais de dez dias não entra na conta da semana. Ela continua nomeada na página, para que se saiba quem não renovou, mas nenhuma posição dela vira ponto. Arrastar a colocação da semana passada faria a edição afirmar uma presença que ninguém mediu nela.
Foi o que aconteceu agora. Esta edição fechou com duas fontes, porque a terceira teve sua última captura em 27 de julho. Se sobrar menos de duas, a lista não é publicada e a edição anterior continua no ar.
Parece detalhe operacional e não é. Uma lista que sai igual toda segunda-feira, com dado ou sem dado, uma hora passa a mentir sem que ninguém perceba. Preferimos a semana em branco.
O que existe atrás do número
A página pública mostra dez títulos. No painel são vinte, e cada um deles abre.

A trajetória mostra a posição do título em cada lista, captura a captura, com a data da última leitura ao lado de cada linha. É onde a defasagem entre as fontes fica visível: no exemplo acima, três listas foram lidas há vinte horas e duas há quinze dias. Junto vem a cobertura que a obra recebeu, com os veículos que escreveram sobre ela e o que circulou no BookTok e no BookTube.
O primeiro colocado desta semana serve de exemplo. “A cabeça do santo”, de Socorro Acioli, lidera a ficção nas duas listas atualizadas, e no acervo acumula 19 registros de imprensa em três veículos.
Nada disso está na lista pública. É o motivo de o painel existir.
Onde ver
A lista da semana está aberta em publitik.com/mais-vendidos, sem cadastro, fechada toda segunda-feira e arquivada por semana.
Ir de um título até a trajetória dele e até a cobertura que ele recebeu é o painel, e os planos estão aqui.