O que existe por trás da Martha

A Martha pesquisa no acervo do Publitik e mostra as fontes que usou. Neste texto, conto o que foi preciso construir antes que ela pudesse responder à primeira pergunta.

Em 30 de setembro, a Martha entrou no ar para quem assina o Publitik nos planos Pro e Enterprise. Ela é a agente de pesquisa do Publitik: você faz uma pergunta sobre o mercado editorial, ela procura no acervo que o painel acompanha todos os dias e responde mostrando de onde tirou cada informação.

Dito assim, parece simples. Não foi.

A parte visível é a conversa. Por trás dela há meses de trabalho para organizar matérias, listas de mais vendidos, vídeos, negócios de direitos, estudos e livros de um jeito que uma agente consiga consultar sem inventar atalhos. O modelo de linguagem é importante, mas é apenas uma peça dessa estrutura.

Tela de apresentação da Martha no painel do Publitik, com a frase Temos o orgulho de apresentar a Martha
A apresentação da Martha no painel do Publitik.

O modelo nunca foi o centro

Hoje é relativamente fácil contratar um modelo de linguagem, escrever algumas instruções e colocar um chat no ar. A resposta vem fluida, parece segura e muitas vezes esconde o principal problema: de onde saiu aquilo?

Foi essa pergunta que guiou a construção da Martha. No vocabulário da tecnologia, chamamos de harness toda a estrutura que fica em volta do modelo. É o harness que define onde a agente pode pesquisar, como ela confere o que encontrou, quando precisa tentar de novo e quando o mais honesto é admitir que não sabe.

Eu repito uma frase há algum tempo, e a Martha talvez seja a forma mais concreta de explicá-la: o harness importa mais que o modelo. Você pode ter a melhor IA do mundo e tokens infinitos, mas, sem repertório, curadoria e conhecimento profundo da arquitetura, a resposta não fica de pé.

Os modelos vão continuar mudando. O Publitik avalia essas mudanças e troca o que está por baixo quando isso melhora o produto. O que permanece é a estrutura editorial em volta deles. Foi ela que levou meses para ficar pronta.

O acervo veio primeiro

A Martha não começou em uma tela de conversa. Começou meses antes, quando o Publitik passou a coletar, classificar e conectar o que acontece no mercado editorial. Desde abril, o acervo reúne imprensa especializada, listas de mais vendidos, vídeos de BookTok e BookTube, negócios de direitos e estudos do setor. Também reúne o catálogo de ISBNs do Brasil, por meio da parceria com a MVB.

Cada uma dessas frentes fala uma língua diferente. Uma lista tem posição, semana e país. Um vídeo tem criador, alcance e os livros que aparecem nele. Um negócio de direitos registra quem comprou, de quem e para qual território. Uma ficha de catálogo traz ISBN, edição, formato, preço e classificação temática.

Fazer tudo isso conversar deu muito mais trabalho do que criar o campo onde a pergunta é digitada. Uma busca de texto comum não resolve esse tipo de pesquisa. Por isso, cada frente ganhou uma ferramenta própria, construída em torno das perguntas que um profissional do livro realmente faz.

Diagrama: a pergunta chega à Martha, que consulta as frentes do acervo do Publitik e devolve uma resposta com a fonte de cada frase
A pergunta passa pela Martha, que consulta o acervo e devolve a resposta com as fontes numeradas.

As perguntas também constroem a Martha

Quando alguém pergunta quais foram as compras de direitos mais relevantes da semana, a Martha consulta os negócios organizados pelo Publitik e aponta a matéria de onde veio cada um. Se a dúvida é sobre os mais vendidos no Brasil, ela lê as listas daquela semana e mostra os livros na posição em que aparecem. Quando o assunto são influenciadores, ela procura os vídeos de maior alcance no período e identifica quem está falando de quais títulos.

Algumas das ferramentas mais úteis nasceram justamente de perguntas que ela não soube responder. Durante os testes, uma pessoa de editora pediu os dados catalográficos de um livro infantil porque precisava fazer um cadastro. A primeira versão da Martha recusou a pergunta por considerá-la fora do escopo. A pergunta era perfeitamente válida. O escopo é que estava errado.

A partir desse erro, ela passou a consultar a ficha catalográfica de qualquer título, com todas as edições disponíveis, e a mostrar a fonte. Esse processo continua. Cada pergunta sem uma boa resposta vira um caso de teste. Antes de qualquer mudança ir ao ar, ela precisa enfrentar de novo as perguntas reais que já recebeu.

As frentes de pergunta da Martha: compra e venda de direitos, listas de mais vendidos, influenciadores do momento e o que a imprensa especializada publicou
Algumas das frentes que a Martha consegue cruzar em uma pesquisa.

Acertar o dado ainda não basta

Trazer a informação certa é só metade do trabalho. A outra metade é entender o que ela significa dentro do mercado editorial.

Por isso, toda afirmação da Martha aponta para a matéria, a lista, o vídeo, o estudo ou o negócio de onde saiu. Ela trabalha apenas com o acervo do Publitik, sem recorrer à web ou à memória do modelo. Se um livro ocupa o primeiro lugar de uma lista, ela não transforma essa posição em número de exemplares vendidos, porque uma coisa não prova a outra. Quando usa um número publicado por um veículo, diz quem o reportou. Se a busca volta vazia, explica que não encontrou base suficiente, em vez de concluir que o assunto não existe.

Eu não escrevi essas regras em uma tarde. Elas vieram dos anos que passei entre livraria, editora e imprensa especializada, convivendo com as perguntas, os cuidados e os atalhos perigosos deste mercado. Para mim, essa é a alma editorial da Martha: experiência de verdade transformada em um jeito responsável de pesquisar.

Por que existe um limite de perguntas

Há uma parte dessa história que precisa ser dita com a mesma clareza. A Martha tem um custo de produção alto. Cada pergunta aciona pesquisas em diferentes partes do acervo, cruza os resultados, confere as fontes e só então produz a resposta. Quando o volume de perguntas cresce, a estrutura de processamento cresce junto.

Neste primeiro momento, quem assina o plano Pro pode fazer 10 perguntas respondidas por dia, e no Enterprise são 20 por colaborador. Durante o período de teste, também são 10. O painel mostra o saldo disponível, e uma pergunta que falha ou precisa ser recusada não entra nessa conta.

É importante separar o volume da qualidade da pesquisa. O limite está na quantidade de perguntas do dia, não no cuidado dedicado a cada uma delas. A Martha consulta as frentes necessárias e reúne as fontes disponíveis para responder à dúvida que chegou. Ela não faz uma pesquisa menor para economizar uma pergunta.

Essa é a forma que encontramos de manter o projeto sustentável enquanto aprendemos com o uso real e trabalhamos para reduzir o custo de cada pesquisa. Ao mesmo tempo, já estudamos mudanças na estrutura que permitam aumentar esse volume no futuro sem piorar a resposta ou transformar a operação em algo inviável.

Esse custo também ajuda a explicar os novos preços do Publitik para quem assina a partir de 1º de outubro. A Martha não é apenas um chat acrescentado ao painel. Ela faz parte de um projeto de inteligência coletiva, construído sobre a memória do mercado editorial. Uma memória que ajude pesquisadores e jornalistas a recuperar contexto, que permita a editores acompanhar o ciclo de compra e venda de direitos e que dê aos departamentos de marketing uma leitura melhor dos influenciadores e das tendências.

Construir essa memória muda a estrutura de custos do Publitik. Preferimos dizer isso com clareza: parte do novo preço sustenta o processamento e o trabalho contínuo necessários para que a Martha pesquise bem, aprenda com os próprios erros e se torne mais útil para o mercado ao longo do tempo.

O nome

Quando chegou a hora de dar um nome à agente, escolhi Martha por duas razões: “Martha My Dear”, de Paul McCartney, e uma profissional do mercado editorial por quem tenho muito carinho.

Também fazia sentido que ela tivesse um nome feminino. As mulheres são maioria no mercado editorial, são as maiores leitoras do país e, em muitas equipes, guardam a memória de como as coisas realmente funcionam. A própria Martha conta essa história quando alguém pergunta.

Beta porque ainda estamos aprendendo

A palavra “beta” aparece ao lado do nome porque eu não quero esconder o que ainda precisa melhorar. Quero descobrir isso com perguntas reais e corrigir cada falha de forma que ela não volte a acontecer.

Toda resposta pode receber uma avaliação com 👍 ou 👎 e um comentário. Esse retorno chega até nós ligado à pergunta que o gerou. Quando a Martha falha ou precisa recusar uma pergunta, ela também avisa, e essa tentativa não é descontada da cota do dia.

A Martha já está disponível nos planos Pro e Enterprise. Para quem assina, ela aparece no painel. Para quem ainda não assina, o período de teste de 7 dias libera os recursos do Pro, inclusive a agente. Conheça os planos.

Tela da Martha com a frase Oi, eu sou a Martha. Muito prazer. e o botão Conversar com a Martha

Esse post saiu do Publitik, a camada de contexto do mercado editorial. Os dados que aparecem aqui vêm do mesmo painel que profissionais do mercado usam todo dia.

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